INADIMPLÊNCIA NO PAÍS, RECUPERAÇÃO JUDICIAL E BETS

O que eles têm em comum?
À primeira vista, são três crises diferentes: o recorde de famílias negativadas, o aumento de empresas recorrendo à recuperação judicial e a febre das apostas online. Mas elas não são fenômenos isolados — são sintomas de um mesmo mal: a fragilidade financeira do brasileiro.
A inadimplência virou estatística diária. Em 2026, o Brasil chegou a 82% das famílias endividadas (que tem alguma dívida e paga em dia). Quanto à inadimplência (atrasos de dívidas com mais de 90 dias) temos 51% dos adultos inadimplentes pela SERASA. Pela CNDL/SPC pelo critério de qualquer atraso, 44,8% estão inadimplentes. SERASA (birô de crédito); CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas); SPC (Serviço de Proteção ao Crédito).
Algumas causas do endividamento e da inadimplência: juros altos (tem Crédito para Pessoa Física, fácil, com taxas próximas de 550,00% a.a., Cartão de Crédito com taxas próximas de 750,00% a.a., pelos dados do BACEN – Banco Central do Brasil) e renda estagnada formaram a combinação perfeita para a negativação das pessoas físicas e jurídicas.
A Pessoa Jurídica devedora segue o mesmo caminho. No mesmo período, 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados, com dívidas superiores a R$ 250 bilhões — número que já superou os piores momentos da pandemia. Quando a inadimplência das empresas desanda, o passo seguinte é o pedido de recuperação judicial: em junho/26 tínhamos 6.341 RJs no país, um recorde histórico que triplicou em pouco mais de um ano.
E o que as BETs têm a ver com isso? Tudo. Estudo econômico sobre o caso brasileiro mostrou que, nos 12 meses seguintes à primeira aposta, a inadimplência entre apostadores cresce cerca de 20% mais do que entre os não apostadores. A aposta virou novo item fixo do orçamento: em vez de pagar a dívida, em vez de levar comida para casa, o consumidor aposta. O dinheiro que deveria movimentar o varejo — e a receita das empresas — escorre para as plataformas e com muitas ilegais no país.
O que une os três é o mesmo ciclo vicioso: renda comprometida, crédito fácil demais, regulação frouxa e praticamente nenhuma educação financeira. A família vira inadimplente, o varejo perde venda, a empresa quebra e pede recuperação.
Em 2025 as BETs autorizadas receberam R$ 220 bilhões (Ministério da Fazenda via LAI – Lei de Acesso à Informação). Entre 2023 e 2026 as apostas em BETs tiraram R$ 143 bilhões do varejo.
Enquanto as BETs capturarem o orçamento das famílias e o crédito continuar sendo concedido sem critério, os três recordes continuarão se alimentando — e o país seguirá vivendo no limite, como se fosse normal.
Fontes citadas: Serasa Experian, CNDL/SPC e Ministério da Fazenda/LDI.
Sobre o autor
Prof. BELLIO
Fundador e diretor executivo da MatFin Cursos e Treinamentos Empresariais e Coordenador de Treinamentos da Excel Expert Treinamentos.
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